Arquivo | 21:39

Com destino às estrelas.

25 set

Eu tentei passar o dia inteiro fazendo de conta que não estava acontecendo, que não era comigo. Até me prometi não citar uma palavra sequer sobre esse assunto aqui, mas uma hora a ficha realmente cai, pesando toneladas, bem na sua cabeça.

Enquanto buscava, meio que robotizada, vôos para Vitória da Conquista (BA) na internet, tentando chegar a tempo… A tempo de que? Que tempo é esse que eu agora corria atrás como se pudesse detê-lo? Enquanto eu corria e buscava inexitosa, o telefone toca e meu pai, sereno, me avisa: ele se foi. O tempo se foi! O tempo de estarmos juntos, de darmos risadas, de tirarmos fotos de família e contarmos as histórias de nossas ceias de Natal, tudo se foi na mala, junto com ele.

Que tempo é esse que divide de forma tão veloz a linha entre estar aqui e, de repente, não estar mais? Que tempo é esse que pulveriza a existência e, em um segundo, transforma aquela pessoa de carne e osso apenas numa lembrança dolorida de saudade?

Meu avô paterno se foi hoje. Após 96 anos viajando pela vida, hoje ele partiu para uma nova viagem… Pelo tempo, pelas estrelas, pelos sonhos… Não sei. Para nós ficam apenas a partida e a vontade de que nos permitissem só mais um pouquinho.

Sempre que me deparo com a morte, percebo, por mais contraditório que pareça, que é ela que nos enche de vida. Corremos contra o tempo porque não sabemos quanto tempo temos. Queremos realizar nossos sonhos porque queremos ser lembrados através deles quando não estivermos mais aqui. No fundo, não sei quais eram os sonhos do meu avô, mas vou lembrar dele sempre como uma pessoa de olhos brilhantes, que sempre se permitiu ser feliz.

Natal de 2006 - Planalto/BA.