Arquivo | março, 2012

DELTA DO VELHO e QUERIDO CHICO – SERGIPE

31 mar

Já fizemos ‘foto-guia’ e  post musical. Agora chegou o grande momento de falarmos sobre o passeio em si pelo Delta do Rio São Francisco.

Como explicamos no “fotoguia”, o passeio pelo Delta, partindo de Sergipe, começa pelo município de Brejo Grande, na região do Baixo São Francisco (para conferir o Fotoguia, com todas as informações de como chegar a Brejo Grande, clique aqui).

Duas opções viáveis te esperam para realizar este passeio:

– Uma delas, mais confortável, é agendar o passeio com uma das inúmeras agências de turismo que operam em Aracaju, como a NOZES TOUR, a IMPACTO ou a TOP TOUR.  Nesta opção, por R$ 120,00 por pessoa, você tem transfer, ida e volta,  da porta da sua casa (ou hotel) até Brejo Grande e Catamarã até o Delta.

– A outra opção, mais aventureira, é seguir por sua conta até Brejo Grande e lá pegar um barquinho para a Foz. São pouco mais de 130 Km de estrada até o município e mais 50 minutos de viagem pelo Rio até o seu encontro com o mar. Os barqueiros costumam cobrar entre  R$ 100,00 e R$ 150,00 pelo barco –  e não por pessoa –  e o bacana é que você tem um barco e um barqueiro exclusivo para você, fazendo tudo no seu tempo.

Nosso pitoresco e divertido transporte até o Delta – Cais de Brejo Grande.SERGIPE

Nas duas vezes em que estivemos na Foz, fomos por nossa conta e é essa experiência que vamos relatar aqui. Mas, se você quiser conhecer a experiência de quem foi por empresa turística, não deixe de ler o excelente post do @rod_rocha no A gente Viaja, clicando aqui.

O PASSEIO

Primeira coisa você deve saber de cara quando optar pelo Delta: não busque comparações com o Cânion do São Francisco. São passeios diferentes com paisagens diferentes. Certamente, você não vai encontrar a exuberância do Cânion no Delta, mas, por outro lado, você não vai encontrar  no Cânion a simplicidade cativante e calorosa do encontro do rio com o mar e o intenso contato com o Rio, na sua despedida do leito. O Cânion é o Cânion. O Delta é o Delta.

Segunda coisa, notadamente para quem fugiu das aulas de geografia: “denomina-se DELTA a foz de um rio formada por vários canais ou braços do leito do rio. Devido a pequena declividade e, consequentemente, pequena capacidade de descarga de água, favorecendo o acúmulo de areia e aluviões na foz do rio” (Glossário de Geografia).

Imagem disponível em geologiamarinha.blogspot.com.br

Isto explica a paisagem que te espera… Várias pequenas ilhas formando esquinas e labirintos ao longo do leito do rio e um imenso banco de areia, dunas e piscininhas no exato encontro do rio com o mar.

Isto posto, além do rio e do Delta, vale dizer que, de quebra, você tem a chance de conhecer duas pequenas cidades ribeirinhas, cheias dos pormenores de cidadezinhas de interior,  agraciadas pelo encontro com rio, que enche de vida e movimento o cotidiano dos moradores locais: BREJO GRANDE, em Sergipe, e PIAÇABUÇU, em Alagoas.

BREJO GRANDE – SERGIPE

PIAÇABUÇU – ALAGOAS

Prepare-se apenas para enfrentar o sol escaldante, pois, o Delta em si nada mais é que um imenso banco de areia cravado em meio à brisa do rio e a maresia do mar. Salvo um ou outro oásis de piscininhas naturais e escassos coqueiros, diante de tanta areia e sob o sol implacável do Nordeste, a sensação térmica, sem exagero, é algo tipo estar no deserto.

No mais, curta muito o caminho…  Os  50 minutos pelo leito do rio até a Foz garantem  imagens  de “wallpaper” rs rs… Inesquecíveis e apaixonantes:

Margem alagoana da Foz do Rio São Francisco

 BREJO GRANDE

Essa cidadezinha, com pouco mais de 7000 habitantes,  reserva as peculiaridades básicas de cidade de interior. Vida tranquila, casinhas coloridas e uma praça com uma Igreja:

Como disse no “fotoguia”, pausa para a Igreja da praça, Igreja de Nossa Senhora da Conceição, com seus traços rendados em branco e cor de rosa. Uma graça!

Só não espere – como seria de se esperar – uma cidade totalmente banhada e integrada com o Rio. Sergipe tem esse mistério: as cidades NÃO crescem na “beira da água” e, diferente de outras cidades “franciscanas”, como Piaçabuçu, Piranhas, Penedo  e outras tantas, em Brejo Grande o Rio São Francisco fica meio que de escanteio, só com um estreito cais que, por sua vez, fica fora do centro da cidade, onde tudo acontece. Vai entender.

Pequeno cais de Brejo Grande-SE

Mas nada que desabone a cidade. O município ainda oferece preciosidades culturais como o Povoado Saramém, localizado à beira do rio, onde concentra-se uma pequena população de pescadores, e o Povoado Brejão dos Negros, reconhecido como Comunidade Quilombola.

POVOADO SARAMÉM (imagem disponível em tribunadapraiaonline.com)

 O DELTA

Esse, como já foi dito, na prática resume-se a um  imenso banco de areia e dunas  estacionado entre o rio e o mar.

O primordial é que você não compreenda o Delta como a única razão do passeio e sim como parte indispensável dele. Nós, em especial, curtimos muito o passeio de barco pelo rio até a foz e a parada, no retorno, em Piaçabuçu, fazendo com que o Delta em si fosse apenas uma das peças chaves da viagem.

Como fomos por nossa conta e risco, saímos depois do almoço, para evitar pegar o ápice do passeio no ápice do sol. Chegamos  no Delta por volta das 15h e, vou te contar, o Sol continuava “ardendo no couro” a todo vapor.  Nossa única reação, após uma curta tentativa de caminhar pelas dunas, foi  ancorar o corpo em uma piscina natural.

Aí a grande surpresa. Apesar de estarmos de cara com o mar, a piscina era de água doce, tranquila e deliciosa, um oásis de verdade embaixo dos quase 40° de céu limpo que iluminava o dia.

Nesse horário, já não havia barracas de vendedores nas dunas e aí vai uma dica: melhor chegar cedo em Brejo Grande, pela manhã, para aproveitar ao máximo tudo o que a região tem a oferecer (evitando sempre os horários de sol intenso, claro).  A feirinha de comidinhas e artesanato dos moradores locais é mais um belo atrativo das areias da foz 😉

Artesanato da Foz do Velho Chico - SERGIPE.ALAGOAS

Tanto na ida como na volta, fomos curtindo nosso barquinho exclusivo, e seu “tróóóó” suave cortando o rio pouco a pouco, em seu ritmo desacelerado.

De barquinho, fomos curtindo o rio de pertinho, sentindo a água do imponente Rio São Francisco, mansinha, batendo nos dedos.

E, para aliviar o cansaço de uma semana inteira, a dica do nosso barqueiro, Agenor, foi navegar na rede, literalmente. Uma delícia, para quem, claro, não enjoa nem tem labirintite.

E… Ver a noite cair sobre as águas do Rio São Francisco… Ah-ah… Não acontece toda dia. Fomos aproveitando cada segundo da nossa viagem com aquela sensação involuntária de agradecimento à natureza e cheios de orgulhos de nós mesmos por estarmos ali, anoitecendo na imensidão do Velho e Querido Chico.

Ficou faltando a ida até a região do antigo povoado Cabeço, onde há o farol alagado. No horário que saímos, a maré não permitia que nosso pequeno barco chegasse até lá. Mais um #ficaadica também, reforçando que ideal mesmo é sair cedo de casa para não perder nada que o Delta tem a oferecer. O Cabeço vai ficar pra próxima.

Povoado Cabeço - Foz do Rio São Francisco - SERGIPE

 INFORMAÇÕES IMPORTANTES

– Como foi dito, há vários barquinhos no cais de Brejo Grande aguardando turistas, mas caso queira agendar, você pode ligar para o Agenor, que fez nosso passeio na primeira vez, ou para o Almeida, que fez nosso passeio na segunda vez:

AGENOR – (82) 3552-1634

JOSÉ ALMEIDA – (79) 9607-2985/ (82) 9314-7698 – pfs@hotmail.c0m

– No cais de Brejo Grande, é possível ligar para uma pequena balsa, com capacidade  para dois carros, que faz a  travessia para Piaçabuçu/AL. Ocorre que, no cais, só há sinal da VIVO, então a dica é você anotar o telefone e já chegar em Brejo Grande com a travessia agendada. A balsa sai de um pequeno porto a alguns quilômetros do cais principal.

– Acredite! É possível chegar até o Delta de carro, pela margem de Alagoas, partindo de Piaçabuçu. Acontece que, como nos informou o Agenor, a depender do local onde você, desavisado e incauto, estacionar o veículo, pode encontrá-lo boiando na maré ao retornar. Melhor mesmo ir de barco. Em Brejo Grande, você pode estacionar seu carro na Marina, ao lado cais. O estacionamento custa R$ 3,00 por turno.

– Para saber como chegar a Brejo Grande pela BR-101, clique aqui. E, para conhecer nosso Post Musical sobre o Delta, clique aqui.

– Nossa parada e almoço em Piaçabuçu acabou merecendo um post à parte.

– Todas as informações deste post  referem-se aos meses de fevereiro e março de 2012, quando estivemos no Delta.

Aracaju de coração – 157 anos de tum-tum-tum!

17 mar

157 anos atrás, nascia, na colina do Povoado de Santo Antônio do Aracaju, a capital de Sergipe… Assim mesmo, de uma hora para outra, sob o comando de Inácio Barbosa. Naquele dia, ninguém sabia realmente como iria ser isso… Um povoado que dorme  povoado e acorda capital… Ninguém poderia supor que, 157 anos depois, o povoadinho tímido e sua igrejinha de interior, cravada em uma colina, seriam parte de uma capital charmosa, arborizada, de avenidas largas e trânsito irritante, desenvolvida,  bem arrumada e muito, muito amada! Porque uma coisa você aprende logo quando chega aqui: pense num povo que gosta da sua terra!

Por isso hoje, sem precisar dizer muita coisa, vou apenas indicar esse vídeo, com figuras e artistas sergipanos, parte da campanha comemorativa – “Aracaju de coração” – só porque achei ele lindo e queria compartilhar com vocês. Me deu orgulho de ser baiana e ter escolhido Aracaju pra viver!  😉

 

 

 

– Para se webtransportar para a Colina do Santo Antônio, onde Aracaju nasceu, clique aqui.

MUSEU DA GENTE SERGIPANA: Museu-Loja-Café – Casadinha “Da Gente” – ARACAJU.SE

11 mar

Como fiquei devendo,  aqui vamos nós tratar do queridinho do momento em Aracaju, o Museu da Gente.

E não é pra menos. O Museu é uma joia cultural, misturando a imponência do passado –  expressa nessa belíssima construção eclética do século XIX – com a interação criativa da tecnologia para fazer o visitante viajar na história dessa gente, tão simples e tão rica.

Salão de Entrada do Museu – ARACAJU.SE

Grupo de visitantes no átrio do Museu. Visitas guiadas a cada 30 minutos.

A estética é impecável. O aparato tecnológico também, com aquele cheirinho de Cultura e História no ar.

Só a chance de conhecer o belo e valoroso prédio do antigo Colégio Atheneuzinho – totalmente restaurado para abrigar o museu –  com seus garbosos janelões abertos para a tranquila vista do Rio Sergipe, já faria valer a visita, que, de quebra, é GRATUITA.

Além disso, além de ter a chance de conhecer o museu, duas coisas  não podem faltar na sua visita:  a LOJA DA GENTE e o CAFÉ DA GENTE, igualmente imperdíveis (quase obrigatórias).

LOJA DA GENTE

Assim que atravessar a imponente porta de entrada do museu, voltando seu olhar para a direita, você vai se deparar com ela:

Um encanto de canto. Um cantinho charmoso e cativante, forrado de doçura e criatividade assinado pela artista Monica Schneider. Oowwn… Mas não pode tirar foto… Uma pena e um convite: para conhecer de perto os segredinhos da Loja da Gente… Ah-ah… Você vai ter que ir lá, conferir pessoalmente! 😉

 Aproveitando a visita, acabei comprando duas gaiolinhas customizadas, lindinhas. Note que o pessoal lá de casa curtiu rsrsrsrs

Gaiola customizada – R$ 50,00.

A LOJA DA GENTE funciona no mesmo horário do Museu (confira no final do post) . Aceita cartões, VISA e MASTER e, inclusive, o Banese Card ( o Cartão “da Gente”, sergipanos e/ou  funcionários públicos)

CAFÉ DA GENTE:

Não deixe de conhecer Café da Gente  na sua visita ao Museu. É uma delícia de lugar, tanto nos pratos como na proposta. Um ambiente elegante e cultural, com livros para folhear,  jogo americano assinado por artistas locais e cardápio criativo:

O menu mescla itens regionais com um toque de sofisticação. O resultado são pratos inventivos e inesperados, como o Petit Gateau de Macaxeira (onde, macaxeira = aipim/mandioca), recheado com charque e acompanhado por uma pequena porção de vinagrete:

Petit Gateau de Macaxeira

E os Cajuzinhos de Frango, que são na verdade coxinhas, cuja massa é feita à base de caldo de galinha e suco de caju, decorados com uma castanha  bem torradinha, que dá a forma “frutada” ao pestisco.

Além disso, pedimos um quiche de queijo coalho com tomate seco e um sanduíche simples, mas muito macio e saboroso –  Croque Vosmicê:

Quiche (queijo coalho e tomate seco)

Croque Vosmicê (queijo coalho, presunto e molho de queijo)

Todos tira-gostos, já que, como chegamos depois das 15h, já não estavam servindo os pratos executivos do almoço (servidos pontualmente até as 15h). Encerrando os trabalhos, adoçando a vida e molhando o bico, uma torta molhadinha de abacaxi com coco para mim e um chopp gelado e espumante para o Hélio:

Torta de abacaxi com coco

Chopp Heineken

Na primeira oportunidade, voltamos para experimentar o almoço executivo. Perfeito!

Almoço - Café da Gente

No formato “prato executivo“, você escolhe uma carne, um molho e dois acompanhamentos. Eu sou fã do nhoc de charque, do molho de queijo e da farofa de banana da terra, que aparece na foto acima. O molho de manga também é perfeito, combinado com frango, purê de batata doce (divino) e batata com ervas, foto abaixo.

Almoço no Museu

Por essas e outras, apenas acho que incluir o Museu também no seu roteiro calórico é uma boa pedida. Os valores dos pratos variam entre R$22,00 e R$ 32,00, depende da carne escolhida.

Antes de finalizar, só mais uma dica bem a cara de Sergipe para sua petiscada  no Museu: as coxinhas de caranguejo, com massa de macaxeira (aipim) e molho tártaro. Se o recheio te agrada, permita-se.

Coxinhas de Caranguejo

O CAFÉ DA GENTE  funciona de terça a domingo, das 10h às 20h. Almoço até as 15h. Aceitam cartões (Visa, Master e o cartão da gente – BaneseCard… que, embora “da gente”, sempre dá problemas na hora de passar na maquineta… Coisas “da gente”!). Confira a Fan Page do Café aqui.

No horário de funcionamento do museu, o acesso ao Café é pela entrada principal. Atravessando o átrio do prédio, você se depara com um totem de localização. Cruzando o corredor que se abre atrás do totem, o café está à sua esquerda (razão pela qual eu discordo totalmente da seta oficial):

Após 18h, quando o museu fecha, o acesso se dá por um pequeno portão que se abre para o estacionamento:

E, por falar em estacionamento, na saída ou na chegada, permita-se uma pausa para apreciar os murais de azulejos assinados por artistas da terra:

ÚTIL:

HORÁRIO DO MUSEU: de terça a sexta, das 10h às 16h/ Sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h (horário de funcionamento atualizado em abril de 2015). A Loja da Gente segue o mesmo horário e o Café estende seu funcionamento até as 20h, também de terça a domingo.

VISITAS GRATUITAS. Não é permitido tirar fotos em alguns dos nos salões interativos. Visitas livres/individuais.

Site do Museu: http://www.museudagentesergipana.com.br

Telefone do Museu: (79) 3218-1551

Facebook do Café: http://www.facebook.com/cafedagente

Telefone do Café: (79) 3246-3186

Site da Mônica Schneider: http://monicaschneider.com.br/

Mais sobre o Museu aqui (no Miss) e ali  (no blog amigo A gente Viaja).

LOCALIZAÇÃO: Av. Ivo do Prado, nº398, Centro… Em outras palavras, ele fica na continuação da Av. Beira Mar (que, por sua vez, beira o rio e não o mar, lembre-se disso), sentido centro da cidade (dividindo esquina com o prédio da Construtora Cosil). Confira no mapa:

E pra seu passeio não morrer no Museu, confira todas nossas dicas de  Aracaju em Aracaju post a post .

O SAPATÃO DO BAIRRO INDUSTRIAL

10 mar

É! Até daria título para episódio do seriado “As Brasileiras”. E todo mundo, inevitavelmente, acaba fazendo essa brincadeira clichê e meio “dã” com o nome desse restaurante. Mas, como já deixei escapar, trata-se apenas de um restaurante, um dos mais antigos e o mais indicado na Orlinha do Bairro Industrial, Zona Norte de Aracaju.

Coladinho no Rio Sergipe, o Sapatão oferece ventinho suave e vista generosa. O rio, a ponte, o mangue, Aracaju e Barra dos Coqueiros, tudo a sua volta, na varanda do Sapatão.

 O restaurante já foi, na outrora da história,  um barraco de madeira à margem do rio. Mas isso antes, antes da prefeitura da “qualidade de vida” decidir aproveitar o potencial turístico do antigo Bairro Industrial, transformando a humilde vizinhança de pescadores em uma Orla organizada.

De quebra, pra nossa sorte, os barracos da área reformada foram substituídos por instalações apresentáveis, em alvenaria (olha só, não sei como foi, só sei que foi assim). E foi assim que o Sapatão acabou se tornando uma opção apresentável de restaurante no Bairro Industrial.

No final das contas, no embalo turístico da Orlinha, o Sapatão ganhou de virada. A clientela antiga se manteve e muitos que talvez entortassem o nariz para o antigo barraco, hoje comem lindos e pomposos nas mesinhas de sua varanda.

Até porque, a comida, independente de qualquer coisa, faz a diferença.  O tempero é daqueles caprichados, com um sabor encorpado em pratos duralex.  A galeria de itens do cardápio é variada, porém simples e eficiente.

No nosso caso, apesar de crescermos os olhos na aparência e no cheiro dos peixes alheios, que chegavam nas mesas vizinhas, preferimos uma coisa mais leve. O FRANGO A VIVALDI me pareceu estranhamente refinado. Entre peixes e camarões e dendê, o frango foge do script  com seu molho de mostarda e, no nome e na proposta, me pareceu muito “bistrô”. Decidi arriscar.

Frango a Vivaldi – R$ 25,90.

A apresentação é simples, mas o sabor diria  sofisticado e bem calculado. Muito bom  MESMO. O ARROZ CANARINHO, que acompanha o prato, também é uma pérola bem temperada. Segundo o Hélio, perfeito:

Arroz Canarinho (guarnição)

E, embora não tenha nada a ver com nada, o Hélio estava sedento pelo pirão de peixe alheio, servido na mesa ao lado. Daí a misturada. Pedimos para substituir as batatas fritas (que acompanham o frango) pelo pirão:

Pirão de Peixe (guarnição)

Não sei se a mistura daria certo para outros paladares mais exigentes, mas para o Hélio foi “O” almoço. E o pirão de peixe, segundo ele, roubou a cena no prato e levou o Oscar de melhor prato coadjuvante .

Mas, depois de encher as barriguinhas, o que roubou a cena mesmo foi a conta. O almoço, que serve bem duas pessoas “moderadas”, incluindo os refrigerantes e os 10% do serviço, nos custou surpreendentes R$ 35,53. Gostei, viu? Nunca mais tinha deixado menos de 50 reais na mesa de um restaurante.

No mais, vale mencionar o bom atendimento. Pelo menos no caso do Joseph, garçom que nos atendeu com muita simpatia. Oscar pra ele também! 🙂

– INFORMAÇÕES ÚTEIS:

Ah-ah! Está tudo aí (na foto acima)! 😉  Lembrando que o Sapatão é o primeiro restaurante da Orlinha, não tem erro.

– Para saber como chegar na Orlinha do Bairro Industrial, pode pescar no nosso post do Teleférico, certo?

– Fora isso, é bom salientar que nos horários de maré baixa, talvez a vista seja um pouco agoniante. O lixo jogado no rio pelos “sem noção” fica à mostra e você almoça vendo garrafas, pneus e amaldiçoados sacos plásticos disputando espaço com algumas poucas aves que tentam enfeitar a desmerecida paisagem de falta de consciência. Com a maré cheia, tudo são águas tranquilas! Mas fica o alerta e o desabafo.

GALERÍAS PACÍFICO – Buenos Aires

4 mar

Blogueiro viajante vive catando uma experiência diferente e inusitada para contar. Mas, no quesito roteiros, muitas vezes o óbvio é tão fascinante que, vai lá, merece um post sim! Por isso hoje, permitam-me abrir um espaço para falar da Galerías Pacífico, o clichê mais inevitável e necessário de Buenos Aires.

Mais do que um centro de compras, Galerías Pacífico é um lugar para entrar e apreciar, com a cara pra cima mesmo e a boca aberta, achando tudo lindo… Porque… Vamos combinar, é linda demais!

A primeira vez que estive em Buenos Aires, em dezembro de 2008, fiquei fascinada com essa construção e mais ainda com a ideia de se construir um moderno complexo comercial preservando toda a estrutura de um prédio do século XIX, projetado – como boa parte do que se vê pelas ruas portenhas –  nos moldes da arquitetura francesa.

No final do século XIX, esse imponente conjunto arquitetônico, erguido na esquina da Calle Florida com Córdoba, surge com o papel de reproduzir em terras portenhas algo próximo ao parisiense endereço de compras, Le Bon Marché.

Le Bon Marché – final do século XIX – Paris (imagem disponível em onlinetravelfrance.blogspost.com)

Nas idas e vindas da História, passando pelo sobe e desce de ápices e crises econômicas, eis que apenas em 1992 foi inaugurado, nos moldes do que hoje se apresenta, esse deslumbre de shopping, com abóbadas de vidro e corredores elegantes cintilados pelos letreiros de grifes internacionais e locais, um lugar obrigatório em qualquer passadinha por Buenos Aires. (Mais sobre a história do edifício aqui).

A cúpula central, forrada por murais de cores suaves e imagens envolventes, sem dúvida  é o ápice do “Óóóóh!”. Não há como escapar desse encantamento, sobretudo para aqueles que, como eu, depositaram na Argentina o crédito de primeira viagem internacional (mais sobre os murais aqui).

Mas, a depender das prioridades e do orçamento da sua viagem, pode acontecer de você entrar e sair, entrar e sair de novo sem uma sacolinha sequer. Não se deprima. Apesar de ser o centro comercial mais famoso e badalado de Buenos Aires, certamente não é o melhor lugar para compras. Casacos de couro de alto padrão, por exemplo, podem ser encontrados com melhores preços em Palermo (aconteceu comigo) e os de corte, digamos, mais rústico, choverão na sua frente através de cartõezinhos e abordagens de vendedores pelo calçadão da Florida, sempre com preços convidativos.

Casaco de couro de ovelha – 800 pesos mais barato em Palermo.

Ainda assim, tomarei a liberdade de indicar  três cantinhos bacanas para conhecer e, se for o caso, até soltar alguns pesos dentro da “galeria”:

O primeiro, tão óbvio quanto obrigatório, é o FREDDO, o sorvete mais famoso da Argentina e, claro, se você ainda não teve a chance de se deparar com ele nas suas andanças pela cidade, vá até a loja FREDDO  que fica na praça de alimentação, no subsolo, e peça uma bola do sabor mais disputado: doce de leite.

O segundo, também na praça de alimentação, ao lado do FREDDO é  a lojinha charmosa, de decoração rústica de muito bom gosto, Abuela Goye Patagônia.

Lá você vai encontrar uma infinidade de chocolates e chocolatinhos, alfajores e outras delícias em embalagens fofíssimas para dar de presente.

E, se preferir uma pausa para um café, eles oferecem um menu com boas opções, servidas em uma ambiente apertadinho, mas ainda assim agradável:

Café expresso com alfajor – 20 pesos.

Brownie de amêndoas – 16 pesos

Vale salientar, que a Abuela Goye é uma sólida rede de franquias, contando até com uma loja em Salvador/BA. Além disso, oferece um site de apresentação com versão em português e um de compras pela internet com entrega para todo Brasil. Adoro essas facilidades virtuais! Conheça os dois sites clicando aqui e aqui.

Por fim, saindo dos pecados da gula, gostei muito da MORPH, uma loja cheia de novidades e curiosidades para quem gosta de compras interessantes:  artigos para presente, utensílios domésticos e outras coisitas.

Conheci esta loja em um dos posts sobre Buenos Aires da Silvia, do Matraqueando. No post, ela apresenta a maior das lojas Morph, localizada no Buenos Aires Design. Estava louca para conhecê-la, quando então sou surpreendida por uma filial bem na Galerías Pacífico, também no subsolo, ao lado da escada e praça de alimentação. (Confira o post da Silvia aqui)

Entre a infinidade de itens inteligentes, criativos e úteis que a loja oferece, comprei umas meiguices, tipo porta-treco de bolsa em forma de donut:

Porta-treco de bolsa – 27 pesos(unidade).

E um porta-óculos de vaquinha muito bacana… O que não implica dizer barato:

Porta-óculos – 90 pesos. Eu escolhi a vaquinha (imagem disponível em morph.com.ar).

Estas são as minhas dicas, simplórias e pessoais, mas, claro, uma vez diante dessa glamorosa experiência arquitetônica, você irá se deparar com inúmeras opções empolgantes de compras. As vitrines são belíssimas e aí a principal dica: em nenhuma hipótese seja impulsivo. Namore as vitrines, envolva-se com a atmosfera europeia que a “galeria” emana, deslize por seus elegantes corredores, mas não deixe de comparar os preços, para não acabar no prejuízo. Lembre-se das Outlets! 😉

INFORMAÇÕES ÚTEIS:

– Horário de Funcionamento: – Segunda a sábado – 10h às 21h;

– Domingo – 12h às 21h.

– Visitas Guiadas: – Segunda a sexta – 11:30 e 16:30h. Ponto de encontro na  cúpula  central, no subsolo.

Site: http://www.galeriaspacifico.com.ar

Não deixe de pegar o mapa de Buenos Aires que a Galeria oferece  no seu balcão de informações (primeiro piso, ao lado da escada). Além do mapa turístico, também tem o mapa das linhas de metrô da cidade. Muito útil:

Localização: O Shopping ocupa o quarteirão circundado pelas  Ruas Florida, Viamonte, San Martin e Avenida Córdoba. Confira no mapa:

– Todas as informações são relativas ao período de dezembro de 2011.

– Este post é dedicado às amigas de longa data e sempre especiais Eliene “Bina”, Daniely “Fó” e Camila “Kamys”, que já estão de malas prontas e  desembarcam pela primeira vez em terras portenhas nos próximos dias. Desejo sempre tudo de melhor para elas. 😉