Pelas ruas do Tango, nos passos de Gardel: um passeio pelo ABASTO. BUENOS AIRES

22 abr

Que Gardel é o  centro gravitacional do Tango na Argentina, isso, de tão público e notório, dá até a impressão de que já nascemos sabendo. Mas que o Abasto é bairro de corpo, alma e coração do ilustre cantor e compositor, essa, embora pertinente, talvez não seja uma informação tão conhecida.

Ali, Gardel viveu, desde sua chegada da França, sua terra natal, aos dois anos de idade, e cresceu, brincando pelas ruas e, mais tarde, cantando e compondo pelos bares locais, o que lhe rendeu o título de “El Morocho del Abasto” (o moreno do Abasto… Pesquei  nas placas turísticas espalhadas pelo bairro… ehehe).

As ruas do bairro, por sua vez, tranquilas e compassadas (literalmente), são um convite para qualquer um que queira fugir do roteiro básico turístico, lançando-se nas entrelinhas porteñas, nos seus cantinhos curiosos  cheios de revelações.

O fileteado está por todos os lados e casas e comércios enchem de cores as ruas do bairro com suas paredes cuidadosamente decoradas, resultado do Projeto “Cultura Abasto”, responsável pela revitalização da área, há décadas abandonada e decadente. Sorte nossa! O novo Abasto ficou um charme.

O Tango e a figura de Carlos Gardel foram o centro temático da revitalização e isto explica as inúmeras referências artísticas a ambos. Fachadas coloridas, cobertas compassos e notas musicais. Partituras de tangos famosos pelas paredes que hoje compõem com estilo  a nova imagem do Abasto.

Fora isso, as ruas tranquilas e arborizadas são um convite a uma caminhada atenta…

Desvendando o cotidiano simpático dos seus moradores:

O cachorrinho do brechó da Rua Lavalle foi nosso personagem preferido, correndo pra lá e pra cá, com seu pedaço de papelão na boca,  era todo disposição.

Mas em um bairro onde o tema central é Carlos Gardel, parada obrigatória, com certeza, no MUSEU CASA CARLOS GARDEL. Um pequeno, simples, mas convidativo museu, que funciona na última casa onde Gardel viveu em Buenos Aires, na companhia de sua mãe, Dona Berta. Número 735 da agradável Rua Jean Jaures.

A entrada é paga (baratinha, mas paga), gratuita apenas às quartas-feiras, mas no dia em que fizemos a visita, uma quinta-feira, 29/12/2011, por alguma razão, que ninguém no Museu soube explicar, estava sendo gratuita também. Quem recebe o milagre, não vai ficar questionando o Santo, não é não? Entramos de graça e pronto.

O museu, como disse inicialmente, uma gracinha! Uma casa simples, estreita – estilo “chorizo” (pesquei da placa também… ah-ah) – conserva objetos pessoais de Gardel e de Dona Berta:

Fotos, discos, instrumentos musicais, utensílios domésticos preservados e cuidadosamente expostos, tal qual na época em que ali viviam, simplesmente Berta e Carlitos:

Diferente do que acontece no Museu Evita, que funciona também na casa onde esta figura ilustre viveu, em Palermo, o pequeno Museu da Casa de Gardel ainda guarda o aconchego de casa de família, com cômodos pequenos de  janelas generosas e plantas espalhadas na pequena área do imóvel, com jeitinho de casa de vó. Vale a visita!

A duas quadras do Museu, está a Pasaje Carlos Gardel, um curto calçadão localizado entre as Ruas Anchorena e Jean Jaures. Nela você vai encontrar o requisitado Monumento a Carlos Gardel, bem em frente à também requisitada ESQUINA CARLOS GARDEL, onde hoje funciona – segundo informações de terceiros de bom gosto –  uma das casas de Tango mais charmosas de Buenos Aires.

Vale dizer que, onde hoje  funciona  esta elegante Casa de Tango, já funcionou, no final do século XIX e início do século XX, El Chanta Cuatro, um restaurante despretensioso, onde Gardel e seus amigos costumavam virar as noites, bebendo, cantando e jogando bocha.

E para encerrar o passeio pelo Abasto, uma parada estratégica para compras, um café ou só um bate-perna mesmo no imponente Shopping Abasto, na Avenida Corrientes, esquina com Anchorena.

Para os mais culturais e menos consumistas, também fica valendo a visita, já que o Shopping em questão funciona no magnífico prédio art decó do início do século XX, onde funcionou, até a década de 80, o Mercado Popular do Abasto. Contrastando com o requinte dos corredores atuais, naquela época, amontoavam-se ali bancas de frutas e legumes.

Mercado de Abasto – início do século XX – imagem disponível em latidobuenosaires.com

E algumas peculiaridades da capital argentina você só encontrará  no Abasto. É o caso de distintas figuras de roupas escuras e chapéus cruzando, vez por outra, as ruas do Bairro. Membros da Comunidade Judaica, ironicamente, a maior da América Latina (levando em consideração que Perón era… Digamos… Simpatizante de Hitler).

Formalmente, informa-se que é no Once (bairro sinistro, muvucado e pouco indicado), vizinho do Abasto, que se concentram os judeus. Mas foi no Abasto que vimos com frequência senhores judeus passando, em atitude cotidiana, de um lado para o outro (até porque, no Once, é impossível conseguir perceber alguma coisa em meio aquele tumulto avassalador e sufocante). Prova disso é o Mc Donald’s KOSHER que funciona dentro do Shopping Abasto, único no mundo fora de Israel.

Imagem disponível em theblog.brandvital.com

Só para você não ficar com a cara rodando (já que, diferente de Gardel, a gente não nasce sabendo o que é KOSHER… kkk), comida KOSHER é a denominação dada a alimentos preparados rigorosamente de acordo com doutrina religiosa seguida pelos judeus, que vai desde a escolha e abate do animal até o preparo dos alimentos (Exemplo: só é permitido o consumo de carne de animais que ruminam e as aves consumidas não podem ser predadoras de outros animais… Tome essa, Glória Maria).

CURIOSIDADES:

– Abasto, na verdade, é parte de um bairro, oficialmente conhecido como Balvanera, do qual também faz parte o barulhento e caótico Once, vizinho ao Abasto.

– O nome Abasto veio do mercado que ali se instalou, com a denominação de Mercado do Abasto Proveedor de Buenos Aires.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

Para quem quer economizar, a melhor forma de chegar ao Abasto é de metrô, descendo na estação Carlos Gardel – linha B (vermelha), que dá de cara com o Shopping Abasto, na Av. Corrientes. De táxi, a corrida do Abasto até o Obelisco, na Av. 9 de Julho, custou 20 pesos.

Muse0 Casa Carlos Gardel fica localizado na Rua Jean Jaures, nº 735, no trecho entre as Ruas Zelaya e Tucumán. Funciona de segunda a sexta, das 11h às 18h, e sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h. Terça-feira – Fechado. Quarta-feira – entrada gratuita. Mais informações no site http://www.museocasacarlosgardel.buenosaires.gob.ar/

– O Shopping Abasto funciona de segunda a domingo, das 10h às 22h, com horário diferenciado para a Praça de Alimentação – para mais informações, clique aqui. Alguns atrativos do Shopping: Museo de los Niños; Casa de Câmbio; Starbucks e Mc Donald’s Kosher. Site: http://www.abasto-shopping.com.ar

– Informações detalhadas sobre a Esquina Carlos Gardel no site http://www.esquinacarlosgardel.com.ar (com versão em português).

–  As principais atrações do Bairro ficam bem próximas umas das outras e é possível visitar a região de forma satisfatória em uma manhã. Confira no mapa (onde A = Quarteirão do Shopping Abasto):

– Todas as informações constantes neste post, inclusive valores e horários, são relativas a Dezembro de 2011. Verique possíveis alterações nos sites indicados.  😉

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6 Respostas to “Pelas ruas do Tango, nos passos de Gardel: um passeio pelo ABASTO. BUENOS AIRES”

  1. Esther 27/04/2012 às 19:13 #

    Oooi, tava dando uma olhada no blog e gostei muito! Inclusive, eu estava vendo um post seu sobre a Igreja Nossa Senhora do Rosário lá de Tiradentes pois tenho um trabalho da faculdade pra apresentar, e não sei se você acabou descobrindo o porquê daquelas casinhas que eram deixadas ali… é que os fieis rezavam pra essa santo Elesbão para conseguir comprar a casa própria e tal… e cada vez que alcançavam esse objetivo, colocavam essas casinhas, como prova da graça alcançada 😀 Bom é isso, espero que minha informação tenha sido útil haha, um beijo!

    • Anna Guimarães 29/04/2012 às 09:05 #

      Oi Esther! Que bacana!
      Muito obrigada pela informação!
      Vou anexar seu comentário no post, pode ser?
      Abraço,
      Anna

      • Esther 30/04/2012 às 11:59 #

        Imagina, por nada! To usando alguns detalhes do seu post pro meu trabalho e achei que deveria compartilhar esse lance das casinhas também! *-*
        Beeeijos!

  2. ana 06/07/2012 às 15:12 #

    Oi Anna, aqui quem escreve é Ana.Quando eu “crescer” tbm quero me tornar uma miss check-in, o duro é que agora só para os lados.Amo viaja e adorie tudo por aqui!Agora abusando de sues sonhecimentos, como estvam os preços no Abasto?Pois foi o unco shopping que coloquei no meu roteiro de visitas, vc acha que vale a pena?E o Once vc chegou a visitar?me parece tão perto e ouvi falar que os preços de tudo lá são ótimos mas que é perigoso e muitas lojas só vendem atacado.Agaurrdo respostas.Obrigada xará!

    • Anna Guimarães 06/07/2012 às 18:05 #

      Oi xará! rs rs
      Olha! Gostei dos preços do Abasto. Não fui muito nesse sentido de comprar, aí não fiquei tão ligada nas vitrines, mas, ainda assim, comprei minha samsonite lá. Aqui, a mesma estava 1200 REAIS no shopping. Lá comprei por 850 pesos… Veja… Pesos! 🙂
      Já o Once… Estou até devendo esse post… Mas, voltando… Minha filha, fuja daquele inferno. O lugar é horrível, muvucado, tenso e agoniante. A única coisa que consegui lá foi ter a carteira roubada. Não acho que vale a pena. Mas se você é como eu, que tem que ver pra saber, vá, mas já ciente de que é a treva.
      Alguns taxistas e outros locais nos indicaram o Bairro Flores como ideal para compras, mas não cheguei a ir.

      Abraço
      Anna

  3. Anna 25/07/2012 às 12:20 #

    Every time i come here i am not disappointed. nice post. 🙂

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