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Classic Fusca. Eu Fui! – TIRADENTES/MG.

2 nov

Sabe quando você tropeça e no tropeço acha uma nota de cinquenta reais no chão? Pois é, mais ou menos assim fomos parar no Classic Fusca. Quando planejamos ir a Tiradentes sequer sabíamos da existência desse evento e, de repente, assim que chegamos na cidade nos deparamos com uma praça repleta de fuscas, de todas as cores, anos e peculiaridades. Uma fusquetada polida e radiante brilhava no Largo das Forras, principal ponto de encontro em Tiradentes.

O que é mais interessante e coincidentemente intrigante é que meu companheiro de união instável, Sir Hélio, além de estudante de engenharia mecânica, também é um fuscólotra incorrigível e há alguns meses me colocou de lado para se dedicar integralmente à montagem artesanal de seu próprio fusca, algo tipo: fusca, faça você mesmo! Ah-Ah. Resumindo: ele simplesmente surtou com tudo aquilo. Estávamos, definitivamente, no lugar certo, na hora certa.

Essa foi a terceira edição do festival, que acontece anualmente em Tiradentes/MG. “O evento tem foco na preservação da história deste carro e é o único hoje no país aprovado pela lei Federal de incentivo a cultura, Rouanet, e pela lei Estadual de incentivo a cultura de Minas Gerais” (texto disponível em www.classicfuscafestival.blogspot.com).

O mais bacana é que, além da reunião de fuscas e outros modelos, segundo o Hélio, derivados da mesma plataforma do idolatrado besouro – Variant, SP2, Brasília, TL, fusca 4 portas – ainda rola uma feirinha de antiguidades, no geral, automobilísticas.

Um festival de peças “mosca branca”, em outras palavras, raríssimas. Tratam-se de peças originais que deixaram de ser fabricadas e hoje só são encontradas em alguns poucos sites, em sua maioria de colecionadores. Caríssimas, mas na feirinha estavam com preços moderados e até possíveis para quem há muito vinha desejando adquirir uma dessas (Hélio César).

Claro que não sairíamos de lá imunes ao consumo. O Hélio, eufórico como um menino que acabou de ganhar a primeira bicicleta, saiu da feira orgulhoso, carregando o, agora seu, singelo volante original dos primeiros fuscas e que deixou de ser fabricado na década de 70. Uma jóia, fuscamente falando, que, depois de muita negociação, saiu por R$ 250:

Fora isso, o festival deixou a cidade linda, já que  –  vamos combinar –  nenhum veículo automotor combina mais com o cenário de Tiradentes que o invocado besourinho. E a trilha sonora, Beatles e Blues, embalava o evento o dia todo e podia ser ouvida de vários cantos da cidade, arrematando com chave de ouro  nosso final de semana em Tiradentes.

– O Classic Fusca 2011 aconteceu nos dias 28,29 e 30 de outubro – Largo das Forras, Tiradentes/MG

– Mais sobre o Festival em www.classicfuscafestival.blogspot.com

– Twitter @classicfusca

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CHICO DOCEIRO, a atração mais carismática de Tiradentes/MG.

2 nov

Vou ser bem sincera. Fiquei procurando, desenhando, catando as palavras certas para descrever com justiça essa pessoa e esse lugar. Queria colocar no “papel” exatamente o prazer que senti ao conhecê-lo e trocar dois, três, quatro e lá vão dedos de prosa com ele. Mas desisti, convencida que não dá para reproduzir em poucas linhas essa experiência. A simpatia pueril do Chico Doceiro é algo que não cabe nas palavras dos outros, você tem que ir até lá e ter sua própria experiência, na minha opinião, a mais cativante de Tiradentes.

O lugar é muito simples e funciona no que seria a garagem da residência.

Você certamente passaria batido por ele não fossem as placas que aguçam a curiosidade:

Quem é Chico Doceiro? E outra, por que ele aparece nas placas como ponto turístico da cidade? Pois é,  te conto logo, Chico Doceiro é uma celebridade  e seu pequeno e modesto estabelecimento tem  fila na calçada em feriados prolongados, quando a cidade lota de turistas. Todo mundo quer conhecer os cinquenta centavos mais preciosos de Tiradentes, o badalado canudinho de doce de leite:

Os canudinhos são realmente inesquecíveis (inclusive, nesse momento estou lembrando deles e morrendo de raiva. Devia ter trazido uns mil). Mas, como falei no início, Seu Chico Doceiro é que faz toda diferença. De outra forma, seriam apenas canudinhos.

 Tivemos a sorte de encontrar o estabelecimento vazio e assim tivemos a chance de tricotar com Seu Chico. Ele, que há 45 anos se dedica aos doces  nesse mesmo endereço, nos contou que no início era “tudo mais complicado”. Ele não tinha embalagens e para levar o doce de leite as pessoas traziam potinhos de casa ou ele colocava nas latas de leite vazias, usadas para fazer as guloseimas. “Hoje não! Tem embalagem pra tudo!”, disse ele, apontando para a geladeira onde reserva potes de doce de goiaba, abóbora e leite batido.

 O mais bacana é que mesmo com toda essa evolução, algumas coisas permanecem exatamente como nos velhos tempos:

 Alguém lembra do pão enrolado em papel e amarrado com barbante? Pois é, saímos de lá com nosso pacotinho embalado à moda antiga, o que – vou te contar –  deixou  o doce ainda mais gostoso rs rs:

O canudinho é a grande vedete, mas Seu Chico também vende cocadas, beijinhos e rosquinhas de amendoim, além dos doces cremosos que ficam na geladeira:

A unidade de qualquer doce custa R$ 0,70, os canudinhos saem por R$ 0,50. Quem quiser levar os preciosos para casa, pode comprar o kit gulodice (irresistível)  por R$ 10 ou R$ 15 e montar seu próprio canudinho em casa, assistindo televisão e se entupindo desse pecado:

 Tudo é preparado ali mesmo, no fogão à lenha da pequena cozinha:

A imagem do Seu Chico mexendo o tacho de cobre aparece em várias revistas, sites e blogs.  Já falei, apesar da simplicidade cativante, ele é uma celebridade. 😉

Imagem disponível em http://www.comida.ig.com.br

E, por falar em fama, perguntei pra ele: “Seu Chico, vira e mexe o senhor deve dar entrevista por aqui, não é?”. Ele deu um sorriso tímido e lembrou de uma revista “linda” (palavras dele) que mandaram para ele. “Vocês querem ver? Vou rapidinho buscar e já volto” (fofo demais). Segundos depois, volta todo orgulhoso com a revista na mão:

A intenção era nos mostrar a reportagem que fizeram sobre ele. E, tenho que concordar, linda matéria mesmo, à altura do entrevistado:

A vontade que dava era de não ir embora, mas ainda havia muito em Tiradentes para desvendar. De qualquer forma, no dia seguinte estávamos lá de novo… Tanto pela vontade pecadora de comer mais canudinhos, como pelo prazer de conversar mais um pouquinho com Seu Chico, sempre sorridente e prestativo.  Como disse no início, a atração mais carismática da cidade.

ENDEREÇO e COMO CHEGAR:

–  A casa do Chico Doceiro fica na Rua Francisco Pereira de Moraes, nº 74, Tiradentes. Para chegar, basta seguir na Rua dos Inconfidentes, sentido Largo das Forras – Estação Ferroviária. Prossiga nesta rua e vire à esquerda, na esquina da Pousada São Geraldo. Pronto! Você já está na rua do Chico Doceiro e, alguns metros depois da esquina com a Rua  dos Inconfidentes, à direita,  surgirá sua modesta casinha.

–  Aberto de domingo a domingo, das 08:30h às 19:00h.