Tradição em Rocambole – Lagoa Dourada.MG

6 nov

Partindo de BH, é possível chegar de diversas formas  a Tiradentes (já vimos isso nas aulas passadas… rs rs). De avião (até São João del Rei), de ônibus ou carro. Por uma soma de fatores, escolhemos  ou, no fundo, fomos escolhidos pelo aluguel de um carro. E essa escolha, embora cansativa – sobretudo na volta – permite que todo caminho seja uma peregrinação deliciosa. Mas isso será tema de um post específico. Agora vamos nos concentrar apenas no ROCAMBOLE de LAGOA DOURADA.

Trafegávamos tranquilos e  curiosos pela  Região da Estrada Real quando, de repente, somos açoitados – já derrubadinhos de fome após cinco horas de viagem – por placas como esta:

Caraca! (não tinha outra palavra para expressar nosso questionamento, certo?) Que rocambole é esse que toda placa fala dele? Pra não esticar a dúvida, assim que entramos na cidade, Lagoa Dourada, paramos na primeira porta indicativa de rocambole:

Panificadora Santo Afonso, o endereço do nosso rocambole tradicional da “Lagoa”. Panificação e lanchonete  bem instalada, com variedade e atendimento impecável, bem no padrão mineiro (algo tipo concurso de simpatia…E todo mundo é finalista, diga-se de passagem).

Você escolhe o sabor e seu rocambole, que é enrolado na hora, surge segundos depois, vindo da cozinha, reluzente e açucarado, pronto para ser devorado, sem a menor elegância, por mentes famintas.

Rocambole pequeno - R$ 8,00 (o maior custa R$ 12,00).

O rocambole é uma tradição da cidade e por todo lugar você vai encontrar plaquinhas e portinhas vendendo o  famoso bolo recheado.  A Panificação Santo Afonso, nossa escolhida (no  uni-duni-tê),  abre de domingo a domingo, em horário comercial e fica na passagem obrigatória de quem segue para São João del Rei pela BR-383.

Após nossa paradinha, seguimos felizes e alimentados, de posse da nossa primeira guloseima mineira. Saudosa companheira de viagem! #ficaadica

História, Sacrifício e Arte – Igreja Nª Srª do Rosário – Tiradentes/MG.

5 nov

 Respirar História no cenário original dos fatos é inebriante e quase tudo que se vê e aprende passeando pelo Centro Histórico de Tiradentes é surpreendente.   Mas há sempre o encontro com algo que nos envolve de forma mais contundente. No meu caso foi a IGREJA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS. Não só pela beleza suave de seus entalhes barrocos ou por sua construção envolta em um “ritual” de devoção e altruísmo, mas pelo conjunto da obra.

Como o nome já enuncia, trata-se de uma pequena  igreja construída e freqüentada apenas por escravos, o que – contendo sua precipitação – não significa dizer humilde. Localizada na Rua Direita, foi construída entre 1708 e 1719 e é considerada a mais antiga da cidade.

Até aí tudo parece muito básico, historicamente falando, mas as circunstâncias da construção fazem toda a diferença.  Entrando no templo, não se engane, tudo que reluz – sim – é ouro. Ouro “roubado” pelos escravos nos garimpos e trazido clandestinamente em cabelos e unhas para a Igreja.

Por essa razão, a porta principal nunca era aberta. O único acesso era uma pequena porta lateral  que, uma vez aberta, não permitia que o  ouro que ornava o altar fosse visto por quem passasse nas imediações. Reza a lenda que o único branco ciente de tudo era o Padre, “cúmplice” dos negros .

A riqueza inesperada da decoração  guarda consigo uma série de pormenores contraditórios e intrigantes e, enriquecendo o enredo histórico, a presença  de alguns símbolos alheios ao contexto católico narram silenciosamente uma história de segregação, fé e abnegação. A meia lua, no teto do altar, e a estrela negra, no teto da nave, fazem referência ao fato da Igreja ter sido construída à noite, único tempo livre que os escravos tinham para a construção.

A pintura no teto do altar mostra Nossa Senhora entregando o Rosário a São Francisco de Assis e São Domingos Gusmão:

E no teto da nave estão representados os  15  mistérios do Rosário:

 Eu, que não tenho formação católica, para fazer esse post aprendi que o Rosário é uma oração católica – de devoção à Virgem Maria –  composta, originalmente, por três terços, cada terço com cinco mistérios. Cada mistério recorda uma passagem importante da história da salvação, o que, por sua vez,  está representado no teto da Igreja do Rosário (foto acima). Para tanto, entre outras fontes, consultei o Hélio, católico cheio dos protocolos “sacro-episcopais” (batismo, comunhão e crisma).

No lado esquerdo do altar, abaixo da imagem de Santo Elesbão – um Santo negro –  encontrei essas casinhas, curiosas, mas o significado ninguém soube me explicar, apenas garantiram que fazem parte da construção original da igreja (será?).

Santo Elesbão

E para aqueles que, como eu, até então nunca ouviram falar de Santo Elesbão, segue a “pesca” informativa:

Voltando à parte externa, note as fendas na parede da única torre e abaixo dos degraus, estrategicamente dipostas para dispersar o mau cheiro vindo dos corpos enterrados no interior da Igreja, já que a porta principal nunca seria aberta:

Também é possível subir até a galeria e apreciar a vista lá de cima:

Bem em frente a Igreja Nossa Senhora do Rosário, está a Antiga Cadeia de Tiradentes, erguida por volta de 1730.

Segundo o Carlos, nosso guia do charretour, a cor rosa, mantida quando de sua reconstrução após o incêndio que devastou o prédio em 1829,  é uma homenagem a Maria Elvira Correia, primeira (não sei se única) mulher presa – por adultério –  no antigo arraial.

– A Igreja está aberta à visitação  das 09 às 17h. A entrada custa R$ 2,00. É permitido fotografar, desde que SEM flash. Já a Cadeia estava fechada para reforma e, para falar a verdade, estava com mais pinta de abandono que de revitalização.

“Pra presente!” – TIRADENTES/MG

5 nov

Mais por afeição que por consumo, comprar em uma viagem é, no fundo, uma forma de levar um pedacinho do lugar na mala. Daí é quem vêm os básicos presentinhos e lembrancinhas e balangandãs. E aí, se prepare, porque em Tiradentes tudo é um convite às compras.

A cidade é um reduto consumista e por todo lado há lojinhas de artesanato, de souvenires, de decoração, de artesanato, de souvenires…  É isso, chega a ser repetitivo e você fica meio baratinado, caso não consiga definir de uma vez por todas uma delas para entrar e, finalmente, enfiar o cartão na maquineta.

Eu fiquei exatamente assim, com a cara pra cima sem saber por onde começar. Mas aí a atmosfera do lugar vai entrando em você, a agonia de querer ver tudo ao mesmo tempo vai baixando e você vai calmamente vendo tudo com mais clareza. Foi assim que meus olhos curiosos me levaram ao EMPÓRIO DO BANHO, uma casinha linda, com decoração sugestiva, que nos chamou a atenção no Largo das Mercês:

A decoração da área externa já faz presumir o que te aguarda lá dentro.

O caso é que  lá dentro  não é permitido fotografar. Uma pena! Vocês iam amar!  A loja oferece uma infinidade de itens para presente, todos exclusivos e feitos de forma artesanal.

Corujinha artesanal - base canela - R$ 35,00.

Passarinho artesanal - base canela - R$ 35,00.

Sabonetes, sachês e aromatizantes, tudo de produção própria do ateliê com sede em Juiz de Fora/MG.

Duo sabonetes de erva-doce - R$25,00/Toalhinha de rosto - R$ 30,00.

E, em meio a tantos sabonetinhos fofos e outros itens perfumados para banho, nem preciso dizer que o cheiro da loja é irresistível.

Trio de sabonetes - R$ 33,00.

Vale a pena conhecer e se permitir umas comprinhas, até porque, embora não sejam produtos genuínos de Tiradentes, não deixam de ser mineirinhos autênticos.

Endereço:  Largo das Mercês, nº 39, Tiradentes/MG.

Horários:  Seg a Sex – 12h às 18h / Sab – 10h às 21h / Dom – 09h às 15h.

Site: http://www.emporiodobanho.com/

Outra dica para presente, que também descobrimos por acaso, é a  Loja Puro Cacau. Não entramos na loja principal, no Largo das Forras. Conhecemos apenas a filial da Rua Ministro Gabriel Passos:

Não passei muito tempo na loja que, entre compotas e outros itens básicos de Minas, como queijinhos e docinhos, encontramos umas latinhas com tema de Tiradentes, ideais para presente. A lata sai por R$14 e os chocolates você compra separado, caso queira presentear a latinha recheada com bombons.

Endereço: Rua Ministro Gabriel Passos, nº 225 ou Largo das Forras, nº 30, Tiradentes/MG.

 E uma última diquinha  para quem, como nós, coleciona camisas dos lugares que visita. Não é bem o tipo da coisa que em todo lugar se encontra por Tiradentes e, quando se encontra, pode ser que a estampa não agrade. Por isso indico a Rouparia Mineira, onde encontramos camisas com bons preços e estampas bacanas:

Camisa masculina - R$ 19,00.

A Rouparia Mineira fica na Rua Minsitro Gabriel Passos, nº 190

Ao lado dela  há outras lojinhas que também vendem camisas e bonés e você pode escolher a que mais lhe agrada. A poucos passos da Rouparia Mineira, caminhando no sentido oposto ao Largo das Forras, você irá encontrar o mini shopping de Tiradentes, mais uma opção para comprar e para tomar o suquinho da tarde.

Observações importantes:  

– A maioria das lojas de Tiradentes funciona de domingo a domingo. Os horários variam.  Às sextas e principalmente aos sábados,  costumam dar uma esticada no horário de funcionamento e fechar mais tarde (depois das 19h).

 – Boa parte dos estabelecimentos aceita cartões de crédito e débito. Mas é sempre bom estar com a carteira preparada para as exceções.

– Caso precise sacar dinheiro, na cidade só há agências do Bradesco e Itaú. A do Bradesco fica praticamente no Largo das Forras, na Rua Ministro Gabriel Passos, ao lado do Restaurante Panela de Minas:

Não vimos a agência do Itaú em nossas andanças. O pessoal da Pousada garantiu que há um caixa eletrônico do Banco do Brasil na Rodoviária, onde é possível sacar. Para clientes da Caixa, a Lotérica, que fica no Largo das Forras, pode quebrar um galho. E, na pior das hipóteses, mantenha  a calma e lembre-se que São João del Rei fica a 8 Km.

Classic Fusca. Eu Fui! – TIRADENTES/MG.

2 nov

Sabe quando você tropeça e no tropeço acha uma nota de cinquenta reais no chão? Pois é, mais ou menos assim fomos parar no Classic Fusca. Quando planejamos ir a Tiradentes sequer sabíamos da existência desse evento e, de repente, assim que chegamos na cidade nos deparamos com uma praça repleta de fuscas, de todas as cores, anos e peculiaridades. Uma fusquetada polida e radiante brilhava no Largo das Forras, principal ponto de encontro em Tiradentes.

O que é mais interessante e coincidentemente intrigante é que meu companheiro de união instável, Sir Hélio, além de estudante de engenharia mecânica, também é um fuscólotra incorrigível e há alguns meses me colocou de lado para se dedicar integralmente à montagem artesanal de seu próprio fusca, algo tipo: fusca, faça você mesmo! Ah-Ah. Resumindo: ele simplesmente surtou com tudo aquilo. Estávamos, definitivamente, no lugar certo, na hora certa.

Essa foi a terceira edição do festival, que acontece anualmente em Tiradentes/MG. “O evento tem foco na preservação da história deste carro e é o único hoje no país aprovado pela lei Federal de incentivo a cultura, Rouanet, e pela lei Estadual de incentivo a cultura de Minas Gerais” (texto disponível em www.classicfuscafestival.blogspot.com).

O mais bacana é que, além da reunião de fuscas e outros modelos, segundo o Hélio, derivados da mesma plataforma do idolatrado besouro – Variant, SP2, Brasília, TL, fusca 4 portas – ainda rola uma feirinha de antiguidades, no geral, automobilísticas.

Um festival de peças “mosca branca”, em outras palavras, raríssimas. Tratam-se de peças originais que deixaram de ser fabricadas e hoje só são encontradas em alguns poucos sites, em sua maioria de colecionadores. Caríssimas, mas na feirinha estavam com preços moderados e até possíveis para quem há muito vinha desejando adquirir uma dessas (Hélio César).

Claro que não sairíamos de lá imunes ao consumo. O Hélio, eufórico como um menino que acabou de ganhar a primeira bicicleta, saiu da feira orgulhoso, carregando o, agora seu, singelo volante original dos primeiros fuscas e que deixou de ser fabricado na década de 70. Uma jóia, fuscamente falando, que, depois de muita negociação, saiu por R$ 250:

Fora isso, o festival deixou a cidade linda, já que  –  vamos combinar –  nenhum veículo automotor combina mais com o cenário de Tiradentes que o invocado besourinho. E a trilha sonora, Beatles e Blues, embalava o evento o dia todo e podia ser ouvida de vários cantos da cidade, arrematando com chave de ouro  nosso final de semana em Tiradentes.

– O Classic Fusca 2011 aconteceu nos dias 28,29 e 30 de outubro – Largo das Forras, Tiradentes/MG

– Mais sobre o Festival em www.classicfuscafestival.blogspot.com

– Twitter @classicfusca

CHICO DOCEIRO, a atração mais carismática de Tiradentes/MG.

2 nov

Vou ser bem sincera. Fiquei procurando, desenhando, catando as palavras certas para descrever com justiça essa pessoa e esse lugar. Queria colocar no “papel” exatamente o prazer que senti ao conhecê-lo e trocar dois, três, quatro e lá vão dedos de prosa com ele. Mas desisti, convencida que não dá para reproduzir em poucas linhas essa experiência. A simpatia pueril do Chico Doceiro é algo que não cabe nas palavras dos outros, você tem que ir até lá e ter sua própria experiência, na minha opinião, a mais cativante de Tiradentes.

O lugar é muito simples e funciona no que seria a garagem da residência.

Você certamente passaria batido por ele não fossem as placas que aguçam a curiosidade:

Quem é Chico Doceiro? E outra, por que ele aparece nas placas como ponto turístico da cidade? Pois é,  te conto logo, Chico Doceiro é uma celebridade  e seu pequeno e modesto estabelecimento tem  fila na calçada em feriados prolongados, quando a cidade lota de turistas. Todo mundo quer conhecer os cinquenta centavos mais preciosos de Tiradentes, o badalado canudinho de doce de leite:

Os canudinhos são realmente inesquecíveis (inclusive, nesse momento estou lembrando deles e morrendo de raiva. Devia ter trazido uns mil). Mas, como falei no início, Seu Chico Doceiro é que faz toda diferença. De outra forma, seriam apenas canudinhos.

 Tivemos a sorte de encontrar o estabelecimento vazio e assim tivemos a chance de tricotar com Seu Chico. Ele, que há 45 anos se dedica aos doces  nesse mesmo endereço, nos contou que no início era “tudo mais complicado”. Ele não tinha embalagens e para levar o doce de leite as pessoas traziam potinhos de casa ou ele colocava nas latas de leite vazias, usadas para fazer as guloseimas. “Hoje não! Tem embalagem pra tudo!”, disse ele, apontando para a geladeira onde reserva potes de doce de goiaba, abóbora e leite batido.

 O mais bacana é que mesmo com toda essa evolução, algumas coisas permanecem exatamente como nos velhos tempos:

 Alguém lembra do pão enrolado em papel e amarrado com barbante? Pois é, saímos de lá com nosso pacotinho embalado à moda antiga, o que – vou te contar –  deixou  o doce ainda mais gostoso rs rs:

O canudinho é a grande vedete, mas Seu Chico também vende cocadas, beijinhos e rosquinhas de amendoim, além dos doces cremosos que ficam na geladeira:

A unidade de qualquer doce custa R$ 0,70, os canudinhos saem por R$ 0,50. Quem quiser levar os preciosos para casa, pode comprar o kit gulodice (irresistível)  por R$ 10 ou R$ 15 e montar seu próprio canudinho em casa, assistindo televisão e se entupindo desse pecado:

 Tudo é preparado ali mesmo, no fogão à lenha da pequena cozinha:

A imagem do Seu Chico mexendo o tacho de cobre aparece em várias revistas, sites e blogs.  Já falei, apesar da simplicidade cativante, ele é uma celebridade. 😉

Imagem disponível em http://www.comida.ig.com.br

E, por falar em fama, perguntei pra ele: “Seu Chico, vira e mexe o senhor deve dar entrevista por aqui, não é?”. Ele deu um sorriso tímido e lembrou de uma revista “linda” (palavras dele) que mandaram para ele. “Vocês querem ver? Vou rapidinho buscar e já volto” (fofo demais). Segundos depois, volta todo orgulhoso com a revista na mão:

A intenção era nos mostrar a reportagem que fizeram sobre ele. E, tenho que concordar, linda matéria mesmo, à altura do entrevistado:

A vontade que dava era de não ir embora, mas ainda havia muito em Tiradentes para desvendar. De qualquer forma, no dia seguinte estávamos lá de novo… Tanto pela vontade pecadora de comer mais canudinhos, como pelo prazer de conversar mais um pouquinho com Seu Chico, sempre sorridente e prestativo.  Como disse no início, a atração mais carismática da cidade.

ENDEREÇO e COMO CHEGAR:

–  A casa do Chico Doceiro fica na Rua Francisco Pereira de Moraes, nº 74, Tiradentes. Para chegar, basta seguir na Rua dos Inconfidentes, sentido Largo das Forras – Estação Ferroviária. Prossiga nesta rua e vire à esquerda, na esquina da Pousada São Geraldo. Pronto! Você já está na rua do Chico Doceiro e, alguns metros depois da esquina com a Rua  dos Inconfidentes, à direita,  surgirá sua modesta casinha.

–  Aberto de domingo a domingo, das 08:30h às 19:00h.

Arrumando as malas para TIRADENTES/MG.

26 out

E lá vamos nós para nossa primeira aventura nas Minas Gerais. Feriadinho, mais que merecido (eheh), do dia do funcionário público (28/10) bastou para apertar o cinto, o cartão e as contas, encaixando essa viagem no meio da avalanche imobiliária que estou vivendo (financiamento de apartamento, reforma e todos os tra-lá-lá-lás irritantes e necessários para alcançar a pseudo, porém suada, casa própria).  Para encurtar conversa, cá estamos nós, arrumando as malas para Tiradentes/MG.

 POR  QUE?

Tiradentes, ponto. Nem vírgula, nem nada, só Tiradentes. Porque  é desgastante e improdutivo ficar rodando aqui e ali quando se tem pouco tempo.  Porque, de forma alguma, trocamos  a tranqüilidade modesta de um interiôzinho histórico pela diversidade cultural  e congestionada dos grandes centros . Porque crescemos ouvindo a professorinha falar de Joaquim José da Silva Xavier.  E porque a Silvia Oliveira, do Matraqueando, vendeu o peixe tão bem vendido que não nos restou nenhuma dúvida.

 COMO

Só pra variar, tudo começa comigo bisbilhotando as promoções no site da GOL. Conseguimos bons preços para o trecho  Salvador/Belo Horizonte. A volta  ia emplacar Smiles, mas, só pra variar, não havia nada disponível com as básicas 5000 milhas para o período. Então  fizemos um #mixpromo ideal para quebrados ousados (nosso caso): GOL  para ir e WebJet  para voltar. Ida e volta –  Salvador/BH Confins –  nos custou, por pessoa, moderados R$ 400.

Resolvido o aéreo, aí vêm os problemas em terra. Uma vez em BH, é preciso chegar em Tiradentes. OPÇÕES:

Ônibus – Pela Viação Sandra (www.viacaosandra.com.br) de BH até São João del Rei e de Viação Presidente de São João Del Rei até Tiradentes. Não há linhas fazendo Belo Horizonte – Tiradentes. Por essa eu não esperava.

O  caso é que os horários não ajudavam. O primeiro ônibus após nossa chegada em Confins (08:30h) seria o das 11h:

 Além disso o tempo médio da viagem é de três horas e meia até São João del Rei, fora o tempo que perderíamos pegando outro ônibus até Tiradentes.

Para quem já tem pouco tempo, essas horas perdidas em buzu e rodoviárias podem  minimizar as possibilidades da viagem. Desistimos. Para quem optar por seguir viagem, confira os horários e preços da empresa aqui.

Avião – a TRIP  tem voos diretos de Belo Horizonte para São João del Rei, todavia, eles  partem  do Aeroporto da Pampulha. Nós chegaremos em Confins e também não achamos passagens financeiramente viáveis.

Carro – alugar um  no Aeroporto de Confins e seguir viagem pelas BR’s da vida. Ô! Diante das outras alternativas, você viu opção melhor? Nós também não.  Vamos de carro alugado. Encontrei a melhor tarifa na Hertz e, agoniada como sempre, já fiz a reserva pela internet com quase um mês de antecedência.

O site da Hertz é muito prático. Basta verificar onde pretende pegar o carro,  definir  datas e horários e o local para entrega do veículo:

Escolhemos um carro econômico e fomos, de cara, na menor  tarifa:

A diária de final de semana mais a taxa do Aeroporto, já que vamos retirar e devolver em Confins, foi estimada em R$ 222,91.

 No ato da reserva on-line não é efetuado nenhum pagamento e eles também não solicitam número de cartão. A confirmação e número da reserva são enviados por  email. Agora é só pagar (literalmente) pra ver. É a primeira vez que alugo carro pela internet. Que a força esteja conosco! E o limite do cartão também, já que para concluir o aluguel, no ato do check-in, é necessário um gordo bloqueio no cartão de crédito ( a partir de R$ 700,00). Ou seja, sem limite disponível, não tem acordo. Sem bloqueio, não tem aluguel e essas operadoras, em sua maioria, só aceitam bloqueio no cartão de crédito.

ONDE

Onde se hospedar não foi algo difícil de definir. Tinha que ser barato, fato. Mas, de preferência, que fosse um casarão estilo colonial em uma localização interessante. No Booking  encontrei o que estava procurando (pelo menos pelas fotos): Arraial Velho Pousada Temática. O nome já soou pertinente. As fotos também agradaram:

E a diária, detalhe decisivo, saiu por  R$ 180, em quarto duplo com café da manhã e 5% de ISS já  incluído na tarifa. Check-in em 28/10/11 e Check-out em 30/10/11 = R$ 360.

 O QUE

O que fazer em Tiradentes? Para mim, só estar por lá, subindo e descendo aquelas ruazinhas pedregosas,  já me renderiam  sorrisos abobalhados de satisfação. Mas a mesma curiosidade que matou o gato, não permite que a gente morra por falta de informação, ainda mais quando se trata de roteiros de viagens. Esgotar o lugar é bola da vez. Vi e li muita coisa, mas duas deixo aqui já como dica para quem pretende ir a Tiradentes:

– O site www.tiradentesgerais.com.br,  dica do Eduardo (leitor do Miss e já  web-amigo), com várias informações imprescindíveis sobre a cidade. Foi através deste site, por exemplo, que descobri  que não havia ônibus direto entre BH e Tiradentes.

– E o super blog da Silvia, MATRAQUEANDO, que na verdade foi  onde me decidi por Tiradentes. Os posts e a fotos me encheram  da necessidade de conhecer esse lugar. E, como não sei viver ou sobreviver sem um guia de verdade, impresso, que eu possa carregar na bolsa, na mão e riscar com minhas observações, imprimi os posts da Silvia, que, a partir de então, serão meu TimeOut de Tiradentes.

E que venham os pães de queijo (tome essa, colesterol!)

– Ops! Não tenho nenhum vínculo com a Hertz.  A indicação é apenas para auxiliar aqueles que, como eu, nunca alugaram carro pela internet. A escolha foi pelo preço. E, tem mais, vamos lá conferir, se o serviço não agradar… Não tem conversa, despejamos toda nossa insastifação aqui 😉

Casa de Artesanato da Sé Velha – COIMBRA

23 out

Por todo canto em Portugal você vai se deparar com a belíssima cerâmica de Coimbra que, entre outras coisas, é  a cara de Portugal. Aquela cerâmica branca com motivos (geralmente) azuis, cuidadosamente  pintados à mão. Pensou?

(Diz se só em pensar já não te veio  um fado de fundo e a lembrança do sotaque português na cabeça? kkkk)

Então? Não dá pra voltar de lá sem pelo menos um exemplar na mala, qualquer porta-joinha que seja. E nada melhor que comprar a histórica cerâmica de Coimbra em Coimbra, ora pois!  Foi assim que, no nosso “um dia” batendo perna aqui e ali pela cidade,  encontramos a Casa de Artesanato da Sé Velha,  no Largo da Sé de Coimbra.

Sé de Coimbra (sec. XII)

Seu Florindo, que nos atendeu,  um achado à parte.  A princípio parece meio ranzinza, mas basta embalar a conversa que logo ele se mostra  aquela figura portuguesa que você faz questão de levar na memória:

Só a conversa com Seu Florindo já valeria a pena, mas a loja é encantadora (e assustadora também para os tipos desastrados). Cerâmica artesanal por todos os lados, em todos os formatos.

No português pt, trata-se de um comércio especializado em azulejaria e faiança (onde faiança = louça fina de barro). E os preços, pra variar, sempre convidativos, mesmo em Euro. Peças finas e únicas, já que são artesanais,  aptas a compor qualquer aparelho de jantar de luxo, custando pouco mais de R$ 100,00 (não é barato, eu sei, mas por aqui seria o dobro ou triplo disso).

Travessa de mesa (média) – R$ 58,50 Euros.

Peças menores: os porta-joinhas que falei no início, entre 3 e 4 Euros:

Porta-jóia pequenino (lusitanamente falando rs) – 4 Euros.

Além de outras peças funcionais e/ou decorativas, mais em conta,  já com cara de presentinho pra mãe, pra vó e pra aquela tia mais bacana ( que não fica perguntando quando você vai casar em todo almoço de família):

Leiteira (peq.) 12 Euros / Açucareiro – 25 Euros/ Bandeja – 10 Euros.

Cada peça ainda traz o nome do artesão que a produziu. Fora isso, nesse “mundico” globalizado, se tornou uma delícia comprar alguma coisa que não seja “Made in China”.

Não comprar uma dessas peças em Coimbra é como voltar de Porto sem um vinhozinho sequer… #fatotrágico 🙂

Como disse inicialmente, vi muitas lojas vendendo essa cerâmica  –  tanto em Lisboa, como em Porto, como em Coimbra –  mas esta, além do Seu Florindo, tem bastante variedade e a localização ajuda muito, já que fica quase em frente à Sé de Coimbra e ao lado da escadinha que leva ao medieval Arco de Almedina, pontos básicos no roteiro turístico da cidade.

Escadaria bem ao lado da Casa de Artesanato.

Arco de Almedina

– Mais sobre a História da cerâmica de Coimbra aqui.

– Mais compras em Portugal na categoria Portugal – Compras.

– Todas as informações constantes no post se referem a abril de 2011.

Feira da Coroa do Meio por Franklin Maimone e Matheus Santana.

23 out

Gente! Vi as fotos da “concorrência” e  fiquei encantada. Não resisti e furtei o ensaio alheio para fazer mais um post de “relatos visuais”. Aí vai o resultado: novos olhares sobre a Feira da Coroa do Meio pelas lentes de @franklinmaimone e @matheu3s.

Observação importante: Vou logo avisando que eles, super exigentes, não concordam com algumas das fotos que escolhi. Mas, vamos combinar, sensibilidade supera qualquer técnica.

E essa última  foi uma luta para eles me autorizarem postar. Na opinião deles ela é de todo “uó” (tecnicamente falando), na minha, ela é incrível, sensível e despretensiosa:

 

Lindo! 🙂

– Para saber mais sobre a Feira da Coroa do Meio, clica .

@franklinmaimone e @matheu3s são amigos queridos e muito especiais e juntos, eles, eu, @juaumhungria e @jasonlessa formamos nosso “quinteto fantástico” particular  kkkkkk

– Para ver mais sobre mercados populares em Aracaju, dá uma passadinha na categoria  Aracaju – MercadosPopulares.

Mercearia – Garrafeira Ribeira do Porto – PORTO

16 out

O Cais da Ribeira é onde tudo acontece em Porto. Bares, restaurantes, artesanato, tudo pode ser encontrado ali, às margens do Rio Douro.

Rio Douro - Ribeira - Porto.

A atmosfera do lugar é uma delícia e, com certeza, em sua primeira vez em Porto todos os caminhos te levarão à Ribeira. É o destino natural da “turistada”.

Praça da Ribeira

E em Porto, não há como escapar, todos os caminhos também te levarão ao famoso e delicioso Vinho do Porto. Há vinho por todos os lados e preços que fazem qualquer um, mesmo aqueles que não estão nem aí pra vinho, querer aproveitar a “liquidação”: vinho do Porto por qualquer 5 Euros não é todo dia que se encontra. Foi assim que, caminhando pela Ribeira, me deparei com a Mercearia Garrafeira Ribeira do Porto.

Mercearia Garrafeira Ribeira do Porto

A vitrine abarrotada de vinhos lindos, envelhecidos e baratos, de cara, me chamou a atenção.

A vitrine, ou melhor, montra de vinhos (e eu, minha mãe e Gaia no reflexo... ehehe).

Não bastasse isso, o estilo “bodega do Seu Manoel”, simples e simpático, me conquistou.

E, fato, a variedade e os preços dos vinhos são realmente um convite e uma tentação.

Em 2009, saí de lá com uns seis litros 10 anos, 20 anos, miniaturas e lá vai. Agora em abril (2011), claro que levei a família para conhecer e, só pra variar, eles surtaram.

Meu pai e minha irmã certamente pensando: por onde eu começo? rs

Novamente fizemos umas comprinhas, imperdíveis e inevitáveis (não dá pra perder essa oportunidade):

Porto Cruz (garrafa compacta - 350ml) - 3 Euros.

Porto Cruz 10 anos em embalagem de madeira - 15 Euros.

Detalhe da embalagem.

(Sei que é deselegante falar preço de presente, mas é por uma causa nobre! rs rs)

Fora isso, o atendimento é muito familiar. Bem de acordo com o estilo do lugar, trata-se de um comércio de família, onde trabalham marido, esposa e filhos (ou filho, não sei, só vi um), todos muito educados e atenciosos.

Essa é a minha dica, mas por lá você vai encontrar muitas opções como esta. Assim, em se tratando de vinhos do Porto em Portugal, cada um constrói a sua história. A minha indicação é: em Porto, adote uma mercearia. Eu adotei a minha:

Para encontrá-la, basta caminhar no trecho de restaurantes e lojas localizados entre a Praça da Ribeira e a Ponte D. Luis, à margem do Rio Douro (ela está aí, nesse “miolo” que aparece na foto):

– Todas as informações se referem a abril de 2011.

– Mais sobre compras em Portugal em Portugal.Compras.

– Todos os posts de Porto eu dedico à web-amiga Lais Nascimento, que uma hora dessas está por lá, curtindo essa cidade linda, e mesmo assim sempre arruma um tempinho para mandar notícias.

Feira da Coroa do Meio – Aracaju.SE

15 out

 Hoje foi dia de prova… Prova de Fotografia em plena Feira do Bairro Coroa do Meio, aqui em Aracaju.  Tirando uma lasquinha no trabalho da faculdade e aproveitando  o post sobre a Feira da Glória.RIO, aí vai o contraponto: feiras “sulistas” X feiras “nortistas”, todas igualmente populares e ricas nas suas peculiaridades.

O que é bacana nesta feira: ela acontece no Bairro Coroa do Meio, bairro da Orla de Aracaju, onde está concentrada boa parte dos hotéis, ideal para aquele tipo de turista que adora bisbilhotar as feiras dos lugares que conhece, interagindo com a cultura popular local (sim! Feira é cultura pop! rs).

Além disso, por ser uma feira grande, garante uma variedade de produtos e bancas, de bananas a calcinhas (não tiramos fotos das calcinhas! rs).

A feira acontece todo sábado, formalmente a partir das 05h até as 12h, informalmente até rolar um movimento comercialmente interessante.

As bancas são organizadas na Rua Cel. Albuquerque, paralela à Av. Mario Jorge, que por sua vez é paralela à Av. Santos Dumont, que por sua vez é a verdadeira avenida que beira o mar (já que a oficial Av. Beira Mar beira o rio e não o mar… Essa informação pode fazer diferença quando você estiver zanzando pela cidade, não é não, Lopes?).

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

– Para saber os horários e localizações das feiras livres de Aracaju, clique aqui.

– Para fazer o comparativo entre feiras “sulistas e nortistas”, dá uma olhadinha no post Feira da Glória.RIO (para sanar qualquer gafe geográfica, leia-se “sulista” engoblando o Sudeste e “nortista” englobando o Nordeste, ok?)

– Esse “PARA SABER não sei o que, não sei o que” fica muito parecido com os abomináveis call centers. 🙂 🙂 🙂

– A prova foi em dupla. Minha dupla, claro, foi o parceiro de sempre  @juaumhungria. Para reconhecer as fotos é fácil: as mais bacanas são as deles, as demais são minhas. 😉

– Como foi prova e de fotografia, as fotos foram feitas em câmera profissional e, tinha que desabafar, preferi mil vezes minhas fotos humildes batidas na minha camerazinha Sony compacta… Matuto é assim! Mas, aí está o primeiro post do “Miss” com fotos feitas em câmeras de turistas japas.